Por que sentimos medo?

Por João Pedro Roriz

Quando eu era criança, tinha um medo danado do escuro (aliás, continuo tendo). Eu morria de vergonha de sentir medo e guardava essa informação a sete chaves. Hoje, também sofro com o meu medo de avião.

Minha mãe sempre me disse que eu não devia sentir vergonha de ter medo, pois “medo não é algo que dá em pedra… medo é algo que dá em gente”. Mais do que isso, sentir medo é uma prova de nossa humanidade, um instinto de defesa que levamos em nosso código genético.  Mas o quê, afinal de contas, é o medo?

Medo – ou terror – é um sentimento que provoca um sistema de alerta no corpo de alguns seres vivos , o que aciona suas principais defesas (no meu caso, a diarreia!) diante do perigo iminente ou da possibilidade do perigo.

Os maiores predadores da natureza sentem medo e recuam diante de um perigo iminente. Eles não se sentem envergonhados por isso. Os seres humanos também são dotados deste instinto de preservação. Ao sentir medo, o corpo humano produz adrenalina, um hormônio capaz de dar energia e força ao indivíduo, de modo que ele possa lutar ou correr (no meu caso, correr!).

Isso explica o desconforto que algumas pessoas sentem no avião: mesmo com excesso de adrenalina no sangue, causado pelo medo de voar, o máximo que elas podem fazer durante a viagem é gastar toda essa energia indo ao banheiro e rezando (eu faço as duas coisas, as vezes juntas!).

Ai que nervoso! Crianças pequenas não conhecem os perigos, portanto são mortalmente destemidas

Uma pessoa saudável não pode se dizer totalmente destemida. Na verdade, a falta total de medo indica algum tipo de doença ou distúrbio psicológico. Uma pessoa que não sente medo está fadada à sofrer acidentes, pois não possui noção de suas limitações.

Uma criança pequena pode ser considerada destemida por ainda não possuir noção dos perigos que a rondam. Desse modo, os pais precisam estar sempre atentos aos seus filhos na hora de atravessar a rua, passear no zoológico e comer jaca-mole (engasga!).

 

- Mãe, legal esse zoológico. Posso brincar?

- Pode, mas cuidado, hein.

- Posso brincar de “fazer tropeçar”?

- “Fazer tropeçar”? O que é isso?

- Quando o tigre-de-bengala passar, eu boto o pé na frente!

 

Ao longo da vida, uma pessoa aprende sobre suas limitações e as consequências dos seus atos. Sentir medo é fundamental para o desenvolvimento humano e para a preservação da espécie, mas até mesmo o sentimento de medo deve ser equilibrado.

Sentir medo ao andar de avião é natural, visto que os seres humanos não possuem o dom de voar. O problema é quando esse tipo de medo impede uma pessoa de viajar, trabalhar, ou mesmo fazer coisas básicas do dia-a-dia como sair de casa, dormir e comer.

A ansiedade é o primeiro estágio do medo. É uma preocupação que alerta a pessoa sobre um desafio ou ameaça que supostamente está por vir. A ansiedade é um sentimento natural, mas quando se torna uma constante, atrapalha a vida de uma pessoa e precisa ser tratada.

A adrenalina é um hormônio que ajuda na fuga ou no enfrentamento do perigo

O pavor é o maior nível de medo sentido por uma pessoa. É um medo tão poderoso que é capaz de paralisar uma pessoa diante do perigo. As manifestações físicas são evidentes: arrepio dos pelos, tremedeira, dilatamento da pupila, aceleração dos batimentos cardíacos e paralisia.O sentimento de pavor pode ser seguido de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, depressão, náuseas, paranoias e dores musculares.

Já o pânico é o sentimento de ansiedade seguido do terror. Se recorrente, com ou sem uma justificativa aparente, pode ser resultante de um transtorno psíquico conhecido como Síndrome do Pânico, o que deve ser tratado com medicação e psicoterapia.

É chamada fobia o  medo específico e acentuado que obriga a pessoa a criar padrões de vida de modo a não entrar em contato com o foco de suas temeridades. Assim como a Síndrome do Pânico, pode ser causada por trauma(s) ou por outros motivos nem sempre diagnosticados. Exemplo: se uma pessoa tem medo de pombos e, por conta disso, deixa de sair de casa durante o dia, pode ser considerada uma pessoa fóbica.

Nesses casos, existe um tratamento psicológico chamado “dessensibilização sistemática” que permite a pessoa a lidar com o medo e vagarosamente, entrar em contato com o objeto de sua temeridade. Eu já estou fazendo isso, viajando pelo país de avião… mas quando desligam a luz da cabine, eu sempre acendo a lanterninha de leitura, abro um livro e torço para o tempo passar bem depressa. Ai, ai, que medo!

TIPOS DE FOBIA DIFERENTES:

  • Azinofobia – medo de apanhar do pai (todo adolescente tem!).
  • Tafofobia – medo de ser enterrado vivo (não deve ser agradável!).
  • Sominifobia – medo de dormir (isso é que aumenta a audiência dos filmes coreanos que passam de madrugada).
  • Gamofobia – medo de casar (desculpa de tudo quanto é malandro).
  • Melofobia – medo de música (eu tenho isso em relação a alguns funks).
  • Lactofobia – medo de leite (tipo, se vier um tsunami, que seja de água!).
  • Falacrofobia – medo terrível de ficar careca (todo homem de quarenta anos tem esse medo)
  • Eisoptrofobia – medo de olhar no espelho (minha sogra tem isso sempre quando acorda! rsrs)

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João Pedro Roriz é escritor, jornalista e ator. Todos os direitos sobre o texto reservados.

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